Não há janelas no meu quarto. A porta envidraçada, sem colorido algum, quando aberta leva-me a um pequeno pátio interior onde um quadro branco dependurado faz as delícias da minha neta nas suas brincadeiras e detona os meus sentidos. Fecho os olhos e deixo-me sempre invadir por cores, sons e odores da minha infância. Descortino num horizonte imaginário longínquo o mar e o grande monte adormecido num céu cinzelado e misterioso que me transporta a outros mundos desconhecidos. Nos espaços vazios e incolores de agora reencontro-me e deixo-me embeber do cheiro ocre do campo de então e vejo-me a correr atrás do rebanho rebelde e irrequieto que teima em pesar o meu entorpecimento de mulher –criança, galgando os montes em picos e povoados de sombras misteriosas. Dir-se-ia que estes abundam agora no pátio interior junto ao meu quarto só que não trazem consigo aquele aroma que me fazia sonhar…
Alice
Este texto exala muita ternura, muita doçura...
ResponderExcluirEstá muito «Alice»...