Pensa-se ter bravura suficiente para enfrentar este objecto.
Vê-lo ali, adormecido no seu uniforme pastél, solteiro e em paz com a vida. Podia bem ser mais um objecto desses insignificantes do nosso quotidiano saudável. Nunca pensamos nele, a não ser que a visita seja de urgência ou faça parte de um protocolo qualquer.
Às vezes, dependendo das circunstâncias, não ficamos ansiosos nem amedrontados até o vermos. Acompanhado das gémeas bêbedas; da garrafinha de design “Logan”, não fosse de plástico; um elástico cor de cáca de bébé, desses que podemos encontrar num gavetão velho de escritório; a borboletinha inofensiva pronta a acasalar com o nosso objecto, ou a amante deste, de vidro ou de plástico consoante o orçamento.
Não parece haver qualquer relação de intimidade entre este objecto e os acompanhantes. Dir-se-ia que o elástico, apesar de necessário, não se revê naquele batalhão; as gémeas roliças de tão bêbedas apenas estão presentes; a garrafinha de logan preguiçosa; a palmadinha erótica (a cereja em cima do bolo) e um parzinho de mãos confiantes.
Um bom parzinho de mãos, isso sim! Dessas indiferentes às mudança de humor ou aos desamores e frustações do dia-a-dia. A forma engana. Se são volumosas e carnudas sente-se um frio na barriga e não importa o sorriso rasgado - aquelas mãos são de carrasco! Outras vezes as mãos são delicadas, tão delicadas que nos fazem suspeitar da sua destreza na hora da investida.
O elástico, que é quem dá o toque de partida, deve apertar sem estrangular; dois deditos devem localizar a mina; a mais bêbeda e menos peneirenta das gémeas deve varrer o campo de batalha e o objecto sem uniforme e de papillon deve mergulhar no bunker inundado e aí permanecer até nova ordem..
Se for no pulso, é certo e sabido que a coisa não vai resultar. O pulso não é de confiança.
Sem dúvida que o ponto de intercepção entre o braço e o antebraço é o melhor sítio para uma investida que não precisa de grandes precauções e aparatos; mas há quem se deixe ludibriar pelos longos e atraentes túneis distraídos do pulso e aí a situação complica-se: instala-se o pânico, as lágrimas brotam sem parar, lamentamos não ter ido às aulas de ioga, mas já não há nada a fazer. Outro objecto ou o mesmo voltará impassível aos nossos lamentos.
Vê-lo ali, adormecido no seu uniforme pastél, solteiro e em paz com a vida. Podia bem ser mais um objecto desses insignificantes do nosso quotidiano saudável. Nunca pensamos nele, a não ser que a visita seja de urgência ou faça parte de um protocolo qualquer.
Às vezes, dependendo das circunstâncias, não ficamos ansiosos nem amedrontados até o vermos. Acompanhado das gémeas bêbedas; da garrafinha de design “Logan”, não fosse de plástico; um elástico cor de cáca de bébé, desses que podemos encontrar num gavetão velho de escritório; a borboletinha inofensiva pronta a acasalar com o nosso objecto, ou a amante deste, de vidro ou de plástico consoante o orçamento.
Não parece haver qualquer relação de intimidade entre este objecto e os acompanhantes. Dir-se-ia que o elástico, apesar de necessário, não se revê naquele batalhão; as gémeas roliças de tão bêbedas apenas estão presentes; a garrafinha de logan preguiçosa; a palmadinha erótica (a cereja em cima do bolo) e um parzinho de mãos confiantes.
Um bom parzinho de mãos, isso sim! Dessas indiferentes às mudança de humor ou aos desamores e frustações do dia-a-dia. A forma engana. Se são volumosas e carnudas sente-se um frio na barriga e não importa o sorriso rasgado - aquelas mãos são de carrasco! Outras vezes as mãos são delicadas, tão delicadas que nos fazem suspeitar da sua destreza na hora da investida.
O elástico, que é quem dá o toque de partida, deve apertar sem estrangular; dois deditos devem localizar a mina; a mais bêbeda e menos peneirenta das gémeas deve varrer o campo de batalha e o objecto sem uniforme e de papillon deve mergulhar no bunker inundado e aí permanecer até nova ordem..
Se for no pulso, é certo e sabido que a coisa não vai resultar. O pulso não é de confiança.
Sem dúvida que o ponto de intercepção entre o braço e o antebraço é o melhor sítio para uma investida que não precisa de grandes precauções e aparatos; mas há quem se deixe ludibriar pelos longos e atraentes túneis distraídos do pulso e aí a situação complica-se: instala-se o pânico, as lágrimas brotam sem parar, lamentamos não ter ido às aulas de ioga, mas já não há nada a fazer. Outro objecto ou o mesmo voltará impassível aos nossos lamentos.
A minha táctica nestas situações é distrair-me com o meu próprio grito, lonnngo e lamuriento, na presença, claro está, de alguém da minha absoluta confiança, um amigo desses que esteja à altura das circunstâncias: não enjoe, não tenha mau hálito, se sinta à vontade com gritos e palavrões e que sobretudo tenha memória curta para estas coisas.
“Então! Com medo dela, tão pequenininha, ai, mas que vergonha! Uma menina do seu tamanho, o que é que as pessoas vão pensar?”
Mas quem é que está preocupado com aquilo que os outros vão pensar numa hora dessas? Para já, eu já não sou eu, está visto que não estou na posse das minhas vergonhas.
Abro a garganta e escancaro o meu grito de revolta. “Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Porra que esta merda dói! Eu bem lhe disse que tinha que ter a certeza antes de atacar! “
Pronto está feito! Saio desta batalha com um pulso inchado, uma cara de infeliz que até dá dó, uma raiva ao mundo e uma certeza: quer sejam fininhas, pequenininhas, descartáveis ou esterilizadas, com ou sem buterfly, de plástico ou de metal, coloridas ou apenas brancas, sózinhas ou acompanhadas, a porra de uma agulha pode abalar o mundo de qualquer um, como eu.
“Então! Com medo dela, tão pequenininha, ai, mas que vergonha! Uma menina do seu tamanho, o que é que as pessoas vão pensar?”
Mas quem é que está preocupado com aquilo que os outros vão pensar numa hora dessas? Para já, eu já não sou eu, está visto que não estou na posse das minhas vergonhas.
Abro a garganta e escancaro o meu grito de revolta. “Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Porra que esta merda dói! Eu bem lhe disse que tinha que ter a certeza antes de atacar! “
Pronto está feito! Saio desta batalha com um pulso inchado, uma cara de infeliz que até dá dó, uma raiva ao mundo e uma certeza: quer sejam fininhas, pequenininhas, descartáveis ou esterilizadas, com ou sem buterfly, de plástico ou de metal, coloridas ou apenas brancas, sózinhas ou acompanhadas, a porra de uma agulha pode abalar o mundo de qualquer um, como eu.
Vanda Cullen
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